terça-feira, 25 de março de 2008

Catedral, Zélia Duncan

zélia duncan


Por vezes, em determinados momentos de nossa vida,
cremos que vivendo estamos. Estabelecemos uma meta,
uma diretriz para nossas ações, traçamos
um caminho, tecemos planos, planos que com
nossa força e anseio tentamos concretizar.
Passos enérgicos, rápidos, sem medir esforços.

Então em nossa ânsia de logo alcançarmos o tão
almejado destino, vemos que a verdadeira vida ficou
distante, distante e perdida em atalhos, em encruzilhadas
onde erradas foram as estradas que escolhemos.
Não notamos. E não fomos notados.

Simplesmente passamos, passos lentos ou rápidos,
apenas procurando em horizontes distantes o que bem
próximo estava, próximo, mas invisível  pois em
nossa busca frenética, cegos estávamos à limitações
do Universo que nos rodeava. Tão longe de chegar
ao que ao nosso alcance estava, tão perto de encontrar
o futuro que para nós desejávamos...


catedral de pedra, canela, rs

Catedral.
Bela versão  de Christian Oyens e de
Zélia Duncan, da composição de
Tanita Tikaram, "Cathedral Song".
Gostei muito ao ser lançada em português
por Zélia, pois a letra em nosso idioma
tem uma conotação de desabafo que nos
conduz a pensar, um certo "que"...
de saudade, de perda.

 
carlos miranda (betomelodia)







O deserto que atravessei
Ninguém me viu passar estranho e só
Nem pude ver que o céu é maior
Tentei dizer mas vi você
Tão longe de chegar
Mais perto de algum lugar

É deserto onde te encontrei
Você me viu passar correndo só
Nem pude ver que o tempo é maior
Olhei prá mim me vi assim
Tão perto de chegar
Onde você não está

No silêncio uma catedral, um templo em mim
Onde eu possa ser imortal, mas vai resistir
Eu sei vai ter que existir, vai resistir nossa lugar

Solidão, quem pode evitar, te encontro enfim
Meu coração, é secular
Sonha e deságua dentro de mim, amanhã
Devagar, me diz como voltar ã ã ã

Se eu disser que foi por amor
Não vou mentir prá mim
Se eu disser deixa prá depois
Não foi sempre assim
Tentei dizer mas vi você
Tão longe de chegar
Mais perto de algum lugar...

versão: zélia duncan e chrystian oyens
composição: tanita tikaram, "cathedral song"



fontes
imagens: google - vídeo: youtube - texto: carlos miranda (betomelodia)
base das pesquisas: google

sábado, 15 de março de 2008

Sítio Burle Max - Minha Cidade Natal



Sempre tive vontade de divulgar,

mostrar os espaços nos quais passei minha infância
e adolescência em minha cidade natal,
Rio de Janeiro.
Nunca fiquei satisfeito com o que escrevi,
com minhas descrições, pois não conseguia
dar a impressão exata da enorme importância
que esses lugares, muitas vezes
desconhecidos da quase totalidade dos cariocas,
possuem, não só em beleza ou tradição,
mas em termos históricos. Sempre me faltavam dados
confiáveis em minhas rápidas pesquisas.

Navegando pela web encontrei o que tentei fazer,
da maneira que sempre desejei divulgar
minha maravilhosa cidade e assim
vou transcrever para vocês esse bonito trabalho
de pesquisa e divulgação.

carlos miranda (betomelodia)







os jardins

Numa área estimada em 600.000m²,
Burle Marx conseguiu reunir uma das mais
importantes coleções de plantas tropicais
e semi-tropicais do mundo.
Ao lado dos jardins, ao ar livre, esta magnífica coleção
apresenta aos visitantes mais de 3.500 espécies de plantas,
entre as quais se encontram exemplares
extraordinários e únicos das seguintes famílias:
Araceae, Bromeliaceae, Cycadaceae, Heliconiaceae,
Marantaceae, Palmae e Velloziaceae.


jardim e espelho d'água

É reputada como uma das mais importantes do mundo
no que se refere a plantas tropicais e
semi-tropicais, sendo considerada
patrimônio cultural brasileiro desde 1985.


o ateliê

O sítio também possui algumas construções históricas
e exposição de obras de arte e móveis antigos.
Uma das manias do paisagista era aproveitar pedaços
de construções antigas, como portas e janelas,
para novas construções.
O novo ateliê é o mais belo exemplo dessa
mistura de épocas. Utilizando a fachada de um
prédio do século 19, o artista ergueu o ateliê,
num resultado harmônico e de muito bom gosto
que mistura a cor viva da nova pintura com
a pedra desgastada da antiga fachada.


residência de burle marx

Na antiga casa de fazenda, onde viveu Burle Marx,
estão obras do artista
- pinturas, desenhos, tapeçarias, vidros decorativos -
imagens barrocas, cerâmica pré-colombiana,
coleção de vidros decorativos de diversos formatos
e uma coleção de cerâmica primitiva
vinda do Vale do Jequitinhonha, MG.


o jardim com um pequeno lago

Mais uma vez, o artista não segue padrões,
misturando o moderno e o antigo, o clássico
e o popular. Numa das salas principais da casa,
a antiga mesa rústica de jequitibá
é acompanhada por cadeiras de escritório e rodeada
por cristais portugueses, numa mistura agradável aos olhos.
A capela dedicada a Santo Antônio,
construída em 1681, também foi restaurada.


capela de santo antonio da bica, erguida em 1681


Endereço do Sítio Burle Marx
Estrada Burle Marx, 2019
Barra de Guaratiba - Rio de Janeiro - RJ
CEP: 23020-240
Tel/Fax: 0xx21 2410-1412 (Marcar visita)
Email: srburlemarx@alternex.com.br


fontes
imagens: google - texto: carlos miranda (betomelodia
base das pesquisas: google



quinta-feira, 13 de março de 2008

Acontece Que Eu Sou Baiano, com João Gilberto e Caetano Veloso


Na postagem de hoje, vou incluir um vídeo
em que dois compositores e intérpretes baianos,
brincam ao cantar com uma composição
de um outro compositor e também intérprete baiano,
que nos legou belas obras musicais.
Falo de um trio de respeito: Caetano Veloso,
João Gilberto e Dorival Caymmi.

Mas quem sou eu para além de admirar João
e Caetano, possa dizer algo sobre o cantar deles que,
já não sejam de conhecimento de todos...

Vou deixar as palavras sobre os dois a cargo de
Arthur Nestrovski, um gaúcho que além de crítico
literário e musical, escritor e editor brasileiro,
foi nomeado como Diretor Artístico da OSESP, a
Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo.


carlos miranda (betomelodia


joão gilberto e caetano veloso

Leiam o que foi escrito sobre
a incrível dupla:


"No encantamento da beleza de sua própria voz,
Caetano Veloso é um cantor que vai
se entregando para o espaço.
Canta para fora, com a naturalidade do sol.
João Gilberto é quase o oposto:
quando começa a cantar, a música volta para dentro,
na direção do que tem de mais calado.
João Gilberto canta como João Gilberto e só
como João Gilberto. É uma referência pura
para si mesmo, um ideal que ele persegue
obsessivamente, atravessando os desconfortos.
É Caetano (e virtualmente só Caetano),
quem ressoa com ele, resguardando a dimensão
mais aberta do canto. No centro da música,
há uma memória, ou resposta a João,
a partir da qual vêm se expandir os círculos da sua
própria voz. Escutar um e outro cantando
alternados é uma lição sobre o que passa e o que
se ultrapassa, na arte, o que se transforma e se cria.
Não há cantor mais sofisticado do que
Caetano Veloso no país. Mas mesmo esse canto,
controlado nas liberdades de arabesco e vibrato,
parece relativamente simples quando se depara com a
simplicidade antinatural de João Gilberto.
Ele é o cantor silábico e metafísico,
destinado às intensidades de cada segundo.
Ninguém respira como ele, e uma linha musical,
cantada por João, vira uma aventura e um risco,
para ele, que canta num limite do ideal, e para nós,
que vamos seguindo o canto como crianças."


arthur nestrovski






Acontece que eu sou baiano
Acontece que ela não é
Mas tem um requebrado pro lado
Minha Nossa Senhora
Meu Senhor São José
Tem um requebrado pro lado
Minha Nossa Senhora
E ninguém sabe o que é

Já plantei na minha porta
Um pézinho de guiné
Já chamei um pai-de-santo
Prá benzê essa mulher

Há tanta mulher no mundo
Só não casa quem não quer
Porque é que eu vim de longe
Pra gostar dessa mulher

Essa tem um requebrado pro lado
Minha Nossa Senhora
Meu Senhor São José
Mas ela tem um requebrado pro lado
Minha Nossa Senhora
E ninguém sabe o que é


dorival caymmi




fontes
imagens: google - vídeo: youtube - texto: carlos miranda (betomelodia)
base das pesquisas: google

domingo, 9 de março de 2008

Coisas Que Eu Sei, com Dudu Falcão e Jorge Versillo



Carlos Eduardo Carneiro de Albuquerque Falcão.
Pernambucano, nascido na cidade de Recife em 1981,
compositor, instrumentista e cantor, mais conhecido por
Dudu Falcão, é o autor  da música que hoje publicamos.

O primeiro registro como compositor foi em 1988,
quando Nana Caymmi lançou “Deixa eu cantar” e “Era tudo verdade”,
ambas de sua exclusiva autoria, no LP “Nana”. Com mais de duzentas
canções gravadas por diversos artistas, muitas das quais
incluídas em trilhas sonoras de novelas e minisséries. Mas só
em 2009, foi que lançou o CD “Dudu Falcão”, primeiro registro
fonográfico como intérprete de sua obra.


dudu falcão e jorge versillo
Mas temos também outro compositor, instrumentista e cantor
que, faz parte desta página: Jorge Luiz Sant´anna Vercillo.
Natural da cidade de Rio de Janeiro, nascido em 1968. Com o nome
artístico de Jorge Versillo, atualmente é muito conhecido por
suas composições e interpretações.

No vídeo à seguir, um show de musicalidade da dupla,
interpretando Coisas Que Eu Sei, composição de Dudu Falcão,
um grande sucesso da melhor Música Popular Brasileira.

carlos miranda (betomelodia)








Eu quero ficar perto
De tudo que acho certo
Até o dia em que eu
Mudar de opinião
A minha experiência
Meu pacto com a ciência
Meu conhecimento
É minha distração

Coisas que eu sei
Eu adivinho
Sem ninguém ter me contado
Coisas que eu sei
O meu rádio relógio
Mostra o tempo errado
Aperte o play

Eu gosto do meu quarto
Do meu desarrumado
Ninguém sabe mexer
Na minha confusão
É o meu ponto de vista
Não aceito turistas
Meu mundo tá fechado
Prá visitação

Coisas que eu sei
O medo mora perto
Das idéias loucas
Coisas que eu sei
Se eu for eu vou assim
Não vou trocar de roupa
É minha lei

Eu corto os meus dobrados
Acerto os meus pecados
Ninguém pergunta mais
Depois que eu já paguei
Eu vejo o filme em pausas
Eu imagino casas
Depois eu já nem lembro
Do que eu desenhei

Coisas que eu sei
Não guardo mais agendas
No meu celular
Coisas que eu sei
Eu compro aparelhos
Que eu não sei usar
Eu já comprei

As vezes dá preguiça
Na areia movediça
Quanto mais eu mexo
Mais afundo em mim
Eu moro num cenário
Do lado imaginário
Eu entro e saio sempre
Quando tô a fim

Coisas que eu sei
As noites ficam claras
No raiar do dia
Coisas que eu sei
São coisas que antes
Eu somente não sabia

Coisas que eu sei
As noites ficam claras
No raiar do dia
Coisa que eu sei
São coisas que antes
Eu somente não sabia
Agora eu sei... agora eu sei
Agora eu sei... agora eu sei


dudu falcão




fontes
imagem: google - vídeo: youtube - texto: carlos miranda (betomelodia)
base das pesquisas: google

( o vídeo original desta página era com danni carlos mas, resolvi substitui-lo
por tratar-se de uma cantora brasileira que, optou por ceder sua interpretação
de "coisas que eu sei" exclusivamente à uma gravadora estrangeira. )

sábado, 1 de março de 2008

Chiclete com Banana, Gilberto Gil


"… e os meus primeiros momentos de ouvir música,
tudo se passou numa época em que Luiz Gonzaga, principalmente
lá no Nordeste, onde eu vivia, lá na caatinga, era
praticamente o canto mesmo da região…"

gilberto gil


Salvador, Bahia. No bairro Tororó nasceu
Gilberto Passos Gil Moreira, hoje mundialmente
conhecido por Gilberto Gil. E rendeu frutos.

Compositor de grandes sucessos iniciou seu
aprendizado na música ao frequentar uma academia
de acordeon aos oito anos, influenciado pelo
ritmo predominante na época e onde vivia mas, no
ensino secundário, ao ganhar da mãe um violão ficou
conhecendo João Gilberto e que o cativou de imediato.

Ao cursar a faculdade, Administração de Empresas,
Gil conheceu Caetano Veloso, Maria Bethânia,
Gal Costa e Tom Zé. E sua primeira apresentação, ao lado
deste quarteto de grandes nomes, foi na inauguração do
Teatro Vila Velha no ano de 1964. Formou-se no ano
seguinte e mudou-se para São Paulo.

No post de hoje, nosso atual Ministro da Cultura nos traz
como Músico, acompanhado de seu filho, Bem Gil, uma
das mais recentes revelações da nossa autêntica música
popular, interpretando uma composição de
Gordurinha e Almira Castilho, Chiclete com Banana.

carlos miranda (betomelodia)






Só ponho bebop no meu samba
Quando o tio Sam pegar no tamborim
Quando ele pegar no pandeiro e no zabumba
Quando ele entender que o samba não é rumba
Aí eu vou misturar Miami com Copacabana
Chicletes eu misturo com banana
E o meu samba vai ficar assim

Bebop, Bebop, Bebop
Bebop, Bebop, Bebop
Bebop, Bebop, Bebop
Quero ver a grande confusão
Bebop, Bebop, Bebop,
Bebop, Bebop, Bebop,
Bebop, Bebop, Bebop,
É o samba-rock, meu irmão

É mas em compensação
Quero ver o boogie-woogie de pandeiro e violão
Quero ver o tio Sam de frigideira
Numa batucada brasileira
Quero ver o tio Sam de frigideira
Numa batucada brasileira


 almira castilho / gordurinha



fontes
imagem: google - vídeo: youtube - texto: carlos miranda (betomelodia)
base das pesquisas: google